segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A vida como um processo

Bom... o mundo não é só dualidade, não é oito ou oitenta, não é preto ou branco....o mundo....não é tão polarizado. 

As pessoas não são ''isso'' ou ''aquilo'', não as julgue assim.


Por Luciano Pires 

Publicado em: Café Brasil

Ando cada dia mais abismado com a quantidade de gente incapaz de entender o que lê, o que ouve e o que vê. É impressionante. E uma das coisas que mais me chama a atenção é o tratamento do mundo, dos acontecimentos, das interações, de forma maniqueísta, sempre nos extremos. Ou é isto ou é aquilo; se gosta disto, não gosta daquilo; se é a favor disto, é contra aquilo. E deu. Parece que as pessoas não se dão conta de que a vida é um processo, tratam tudo como o aqui e agora.
No mundo dos negócios, a definição de “processo” é algo como “uma sequência de procedimentos conectados e interdependentes que, a cada estágio, consomem um ou mais recursos para converter insumos em resultados. Esses resultados então servem como insumos para o próximo estágio, até que um objetivo ou resultado seja alcançado.”
Viu como é complexo? A vida é assim também…
Alguém que dá uma opinião deve tê-la baseado em suas referências, em seus valores, em suas leituras – os insumos -, para construí-la – o resultado. Desconhecer essas referências é o primeiro passo para fazer julgamentos apressados sobre o autor da opinião e criticar sua obra de forma maniqueísta.
Eu produzo há dez anos o Podcast Café Brasil, semanalmente publicando um episódio onde trato da vida, falo de arte, de política, de sociedade, de comportamento. E há muito tempo me dei conta de que esse meu projeto tem de ser apreciado como um processo. É um programa por semana, e esse programa específico não representa a totalidade do Café Brasil. Para poder dizer “gosto” ou “não gosto”, a pessoa tem de ouvir vários episódios. Tem de aprender um pouco sobre a linguagem que uso, sobre as ideias que defendo, sobre a forma como cada assunto semanal está ligado a um propósito maior. Quem não faz assim, não consegue apreciar o processo, só consegue apreciar um programa.
O mesmo tenho usado em minha vida para apreciar os acontecimentos, o trabalho de outras pessoas, as ideias com as quais interajo. Recebi um texto de alguém? Se julgar interessante, vou procurar saber dessa pessoa. Vou ver sua página nas mídias sociais, as referências na Wikipedia, o site ou blog que ela mantém. Vou ver os tuítes que ela retuíta e os posts que ela compartilha (esses são matadores!). Vou querer saber um pouco de sua biografia, de suas influências, de onde ela veio e para onde ela vai. Quero saber de seus valores e convicções, de como constrói seu raciocínio. Vou ler mais textos, assistir mais vídeos, ouvir mais de seus trabalhos, para só depois me atrever a tirar alguma conclusão.
Meus longos anos de existência me ensinaram que a vida deve também ser vista assim, como um processo.
O que aprendi com meus podcasts, por exemplo, é que na semana que vem tem outro. O que não discuti neste, posso discutir no próximo, o que errei neste, posso corrigir no próximo, o que faltar neste, posso complementar no próximo. O mundo não vai acabar na semana que vem, nada pode ser definitivo. E talvez em algum momento eu deva fazer aquela afirmação libertadora:
– Eu estava errado, mudei de ideia.
É isso que tenho tentado trazer para minha vida: a visão como um processo, como algo contínuo, onde quase nada permanece imóvel, onde as pressões dos contextos, as influências, a exposição contínua às ideias nos transformam. Quem já releu um livro ou reviu um filme com o qual teve contato muitos anos atrás sabe do que estou falando. O livro e o filme são os mesmos, mas eu sou outra pessoa. A leitura de hoje é diferente daquela de anos atrás, são novas descobertas e algumas decepções.
Eu mudo com o mundo. A percepção sobre meu trabalho muda com o crescimento de meus leitores e ouvintes. E isso vale para a forma como aprecio ou critico o trabalho e a opinião das pessoas com as quais tenho contato.
A vida é um processo. As coisas são mais complexas do que achamos que são.
Só a burrice é estática.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A música como plano de fundo - O Rock está morrendo? Não, mas ele está doente Parte 03

Olá Humanos!

Mais uma da série ''O Rock está morrendo? Não, mas ele está doente''. Antes desse post leia a parte 01 e a parte 02. 

Há tempos venho percebendo como as pessoas ouvem cada vez mais música, porém percebo também o quanto a música tornou-se um plano de fundo, algo secundário. 



Agora vamos ao principal ponto desse post:

Por que exatamente a música tornou-se plano de fundo? 

Um dos causadores indiretos disso é o fato de que a música deixou de ser produzida, agora ela é fabricada. Não mais atemporais, e sim músicas que fazem sucesso por alguns meses e depois caem no esquecimento, ou vai dizer que você ainda ouve ''Ai se eu te pego'' na balada? Aí você me diz ''tá Matheus, mas com o Rock não é assim'', realmente não é (será?). Isso talvez tenha sido o que nos manteve vivo, e talvez algo bom de ainda não termos nos adaptado a essa nova geração musical. 

Já dizia Pablo Picasso: ''Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte.''



Outro ponto agora (influência direta):

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Iluminando o país - Congresso Brasil Paralelo

Olá Humanos!

Hoje venho com um post de divulgação, algo pouco comum por aqui. Não, não ganho nada para isso (quem daria grana para um blog tão pequeno? haha), nada além do sentimento de estar divulgando uma boa iniciativa.

O ponto aqui é o Congresso Brasil Paralelo. Um congresso online que está acontecendo agora mesmo, com iniciativa 100% privada.  O congresso traz o maior pacote de conteúdo político, econômico, filosófico, social e estratégico jamais disponibilizado em língua portuguesa.  Foram entrevistados 68 palestrantes somando mais de 120h de conteúdo 100% inédito, dentre os palestrantes temos Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé, Hélio Beltrão, Felipe Moura, entre outros...

http://membros.brasilparalelo.com.br/




O futuro que sonhamos para o Brasil...

Desafiaram todos os antigos paradigmas do mercado, mostrando que é possível criar conteúdo verdadeiro e de qualidade sem precisar de auxilio do estado, reunindo o maior número de pensadores em um só evento. E melhor ainda, com um alcance (até hoje 20/12) de mais de 5 milhões de pessoas APENAS no Facebook e, mais de 110 mil inscritos. 






Não vou iludir e dizer que é tudo de graça, porém o custo para tudo isso é bem baixo, 12xR$ 36,14 é o preço que está agora. PORÉM, 5 palestras de mais 30min cada estão disponibilizadas já no site DE GRAÇA! Ou seja, ainda que como eu você não tenha como adquirir o pacote pago, dá pra obter muita informação apenas nessas palestras de graça. 


Chega de saber tudo apenas pelos livros de história, a hora é agora!


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Westworld: Uma série que você precisa assistir!

  Olá queridos leitores do Ironicamente Humano! Hoje eu trago uma boa recomendação para você que é viciado em séries e está sempre a procura de coisas novas e interessantes para assistir. 
  
  Westworld é a mais nova série da HBO que estreou recentemente no dia 2 de Outubro. A primeira temporada da série possui 10 episódios, com cada um tendo uma média de 50 a 60 minutos de duração. Exceto pelo seu ultimo episódio, que tem 90 minutos de duração.

 Sinopse: A série se passa em um futuro tecnologicamente avançado e é centrada em Westworld, um parque temático que simula o Faroeste e é habitado por robôs sintéticos apelidados de "anfitriões", que atendem aos desejos dos convidados do parque (apelidados de "recém-chegados" pelos anfitriões, e de "convidados" pela gerência do parque). Os convidados podem fazer o que quiserem dentro do parque, sem seguirem regras ou leis e sem medo da retaliação dos anfitriões.

  Bom, e o que me fez gostar tanto da série? Em suma, são os mistérios que cada capítulo traz, e o modo como os acontecimentos da série fazem você pensar. Em diversos momentos somos expostos a reflexões sobre a nossa humanidade e também sobre questões morais. Mas, não quero entrar em detalhes sobre isso para não dar algum spoiler sobre a série e estragar a sua experiência.

  As atuações são geniais, principalmente do Anthony Hopkins que traz um Dr.Ford maravilhoso, e que aliás, foi o meu personagem favorito nessa primeira temporada.

  Os efeitos visuais são muito bem feitos como já era de se esperar, e os lugares presentes durante a trama são lindos e atraentes.

  No decorrer de toda a série ficamos criando teorias sobre o que está acontecendo ali e sobre o que ainda pode acontecer, e no final somos surpreendidos por um desfecho inesperado que amarra de uma forma magnifica todas as pontas soltas criadas durante a história. 

  E sobre a história, ela é extremamente dramática, emocionante e também linda em muitos momentos. Não é uma história que se foca muito na ação, então não vá assistir esperando ver explosões e tiros toda hora. Westworld é mais profundo do que isso, e por esse motivo ela acaba sendo uma série diferente de quase todas as outras que existem atualmente. 


  

'' Se você gosta de ficção cientifica, drama e uma boa dose de ação, você vai se surpreender com essa série! '' 
  




  Logo abaixo eu estarei deixando o trailer da série para você dar uma conferida!

  

  

Por que sou contra a descriminalização do aborto - (Spotniks)

Como prometido, o segundo texto sobre a questão do aborto. Se você não leu o primeiro clique aqui.

Novamente trazendo o grande Spotniks para o blog. Dessa vez com outro escritor.

Escrito por: Francisco Razzo - mestre em Filosofia pela PUC-SP. Em breve publicará seu primeiro livro pela editora Record.


Objetivamente não me parece possível ter qualquer perspectiva direta acerca do mundo a partir da perspectiva de um embrião. Evocarei o filósofo norte-americano Thomas Nagel para nos ajudar a compreender as implicações deste instigante problema filosófico: o que significa descrever o mundo na perspectiva de primeira pessoa? Pois é disso que se trata quando defendemos a qualidade do embrião como pessoa — e não como coisa —, ou seja, de que ele é um sujeito de relações interpessoais e não um objeto de nossas pretensões científicas. Nesse sentido, parto da tese segundo a qual a experiência de subjetividade impõe limites intransponíveis para a descrição científica do mundo, cuja pretensão é sempre de objetividade. E não adianta apelar para a descrição objetiva da formação do sistema nervoso central a fim de descrever o embrião enquanto sujeito, porque, como veremos, isso é — além de metodologicamente impossível — irrelevante para o problema filosófico da subjetividade e do relacionamento interpessoal.
Todo debate sobre a permissividade do aborto tem de passar, antes de tudo, pelo crivo da discussão a respeito do estatuto antropológico do ser humano e, consequentemente, do ser humano em estado embrionário. Não se está discutindo se o embrião é um ser vivo — biologicamente a resposta para esse problema é simples e precisa o suficiente. Por outro lado, o ponto central de toda controvérsia do aborto gira em torno da justificativa moral para matar seres que se encontram no estágio inicial da vida intrauterina. Vale uma nota: estamos presumindo que matar pessoas é moralmente condenável. Se o embrião for uma pessoa — e espero demonstrar que sim —, então segue que abortá-lo é moralmente condenável. O que uma sociedade decidirá fazer com quem optou pelo aborto depende, em certa medida, dessa resposta. Tentar reduzir o aborto a uma questão de saúde pública ou a decisões exclusivas de mulheres não significam outra coisa senão negligenciar, de forma arbitrária, autoritária e ideológica, a natureza desse problema fundamental.

 O problema moral do aborto, portanto, não se encerra na descrição científica de um organismo vivo e da descrição do processo de seu desenvolvimento. A controvérsia maior, na verdade, gira em torno de uma resposta decisiva para a pergunta: “o que sou eu?” – pois só a partir de uma resposta segura dada a essa questão será possível pensar um critério minimamente aceitável para refletir a respeito da resposta para a pergunta: “faz sentido dizer que embrião já existe como pessoa?”.


Por critério minimamente aceitável quero dizer que

Por que sou a favor da descriminalização do aborto - (Spotniks)

Olá Humanos!

Trago hoje (atrasado) dois textos a respeito da questão do aborto (um favorável a descriminalização e outro contra). O motivo vocês sabem, toda aquela questão das últimas ações do STF. Não vou entrar no mérito de lei e direitos, nem todo o caso de jurisprudência, judiciário querendo legislar, etc. E sim, sei que isso tudo atua por vez também como uma distração para as outras coisas que estão acontecendo 'por lá'. O caso aqui não é esse, resolvi fazer esses posts justamente por encontrar para os dois lados argumentos muito ruins e facilmente refutáveis, o que não quer dizer que a causa em si não seja correta.

O segundo texto: Por que sou contra a descriminalização do aborto

Fonte: Spotniks  ( recomendo fortemente a leitura deste incrível site)

Texto por: Eli Vieira - Biólogo, Mestre em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e estudante de doutorado (PhD) na University of Cambridge (Reino Unido).


Quero fazer um convite simples ao leitor. Nos próximos minutos que você gentilmente me dedica, tente não pensar em quem lhe escreve. Não importa quem é o portador das ideias (e do teclado). Eu e você somos duas pessoas preocupadas com as implicações em torno de interrupções de gestações, e estamos tentando entender o que é certo e o que é errado, de acordo com as nossas melhores intuições e com ao menos um pouco das melhores investigações disponíveis, tentando partir de premissas com que podemos concordar.
Lembro-me de um cartaz “pró-vida” (antiaborto) que vi uma vez em Brasília. Trazia a foto de um bebê recém-nascido ou em fase tardia de gestação – 8 meses, digamos. Se o pensamento de uma gestante interrompendo a vida desse bebê causa a você uma repulsa, saiba que eu compartilho dessa repulsa, e não apenas isso, acho que a repulsa é plenamente justificada. Não quero ter parte nisso, tanto quanto você, nem mesmo em opinião. Bebês e crianças são seres para serem amados e protegidos.



Também me lembro de quando